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quarta, 12 de novembro de 2014

Timeshare na visão da hotelaria

O Rio Quente Resorts, um dos cases mais bem sucedidos de timeshare no Brasil
(foto: divulgação)

Livros de hotelaria ensinam que o timeshare, ou tempo compartilhado, é uma modalidade de negócio turístico que permite ao consumidor adquirir o direito de usufruto num determinado meio de hospedagem, por um período de tempo. Aparentemente complexo, pelo nome em inglês e por ser ainda incipiente no mercado brasileiro, os programas desta natureza ganham corpo no País e alargam seu número de adeptos a cada nova temporada.


Esse crescimento fica evidenciado em pesquisas, assim como o mais recente relatório divulgado pela RCI (Resort Condominiums International) – empresa especializada no segmento. De acordo com o material, em 2012, esse mercado teve acréscimo em vendas de 4% na comparação com o ano de 2011. Foram 27 mil novas semanas vendidas no ano passado e com mais de 16 novos resorts no Brasil que entraram no negocio.

Os manuais do setor ainda contam que, para aderir ao programa, os clientes compram semanas de férias e podem distribuí-las em lugares de sua preferência, conforme estiverem a disponibilidade do local escolhido e a pontuação acumulada.

Assim sendo, o programa na maioria das vezes, traz para o cliente final a vantagem de poder utilizar suas semanas em diferentes lugares a cada nova oportunidade. Para a operadora especializada na venda do produto a vantagem é angariar cada vez mais clientes, nas duas pontas – meios de hospedagem e turistas.

E para saber da terceira ponta envolvida nesta negociação, a reportagem ouviu alguns empreendimentos de hospitalidade, que destacaram as qualidades, e quem sabe problemas, do regime.

Por Filip Calixto

 

 

 

O Thermas Park Resort & Spa, hotel também aderiu ao sistema
(foto: divulgação)

É comum ouvir dizer que a hotelaria é quem mais ganha com o projeto pois resolve um problema há muito combatido pelo setor, a sazonalidade. Trazendo público vinculado ao programa para ocupar o hotel em épocas de quartos vazios.

Alguns concordam com o pensamento. Outros acrescentam mais motivos ao ganho hoteleiro e há quem relute alegando que os benefícios atingem todas as partes envolvidas.

“Sem dúvida este é um programa que auxilia muito os hotéis. Principalmente na melhora da taxa média de ocupação anual”, comenta Sérgio Ney Padilha Garcia, do Grupo Ferrasa e gestor do projeto Hot Beach Resort Olímpia, no interior de São Paulo. Para o executivo, a ocupação pode ser o trunfo principal e motivo impulsionador de novos adeptos, mas não é tudo.

“É o tipo de projeto que também ajuda na divulgação da marca pela empresa parceira do tempo compartilhado que, obviamente, tem todo interesse na máxima utilização do compartilhamento”, complementa.

Defensor da tese de que o timeshare beneficia todos os envolvidos, Alejandro Sallas, gerente geral de Experiência em Rio Quente Vacation Club – projeto de tempo compartilhado do Rio Qunte Resorts (GO), acredita que este é um ciclo virtuoso que colabora com quem participa.

“Todos ganham. A hotelaria, em função do aumento da taxa de ocupação tanto em dias de estada que é maior assim como na quantidade de pessoas por UH que também é maior. Igualmente melhora o consumo dentro das diversas áreas do complexo. As operadoras que fazem parte deste ciclo ocupando o hotel em temporada baixa e depois passam a contar com clientes fidelizados para poder vender produtos e serviços segundo a demanda do mercado. E finalmente, os clientes que têm todos os benefícios relacionados com o desfrute”, pondera.

Com impressão parecida, Alejandro Moreno, diretor da RCI para o Brasil, assegura que todos os envolvidos lucram e assegura que os resultados podem chegar números invejáveis. “Há hotéis com 70% de ocupação por ano, como é o caso dos estabelecimentos que vendem timeshare”, defende.

 

 

O Beach Park, um dos empreendimentos brasileiros vinculados à RCI
(foto: arquivo HN)

Implantação
Apesar de vantajoso, o programa exige cuidado e articulação junto a clientela para a implementação. Isso porque cada empreendimento cria um sistema diferente de pontuação, taxas e método de compras.

Normalmente os sistemas são baseados em pontos, que podem ser utilizados no próprio hotel ou resort no qual foi feita a compra, ou em outros empreendimentos ligados por uma empresa que detém um portfólio de hotéis associados e os oferta para os consumidores, numa manobra chada de intercâmbio de férias.

Além disso, cada lugar cria os seus produtos com pacotes e ofertas que tem preços e períodos variados.  Altas temporadas e acomodações mais luxuosas exigem mais pontos. O contrário, vale dizer, também ocorre da mesma forma.

Rio Quente Resorts

Utilizando o sistema desde 1999, quando afiliou-se à RCI, o Rio Quente Resorts serve como um dos modelos de maior sucesso do sistema timeshare no País. Atualmente a unidade oferece 13 produtos do programa, divididos em duas categorias – Grand Vacation, que dá acesso a quartos exclusivos para hóspedes de timeshare, e Vacation, que utiliza a estrutura normal do resort.

 

 

O Rio Quente dedica um de seus hotéis ao cliente de timeshare
(foto: arquivo HN)

Os produtos do projeto do Rio Quente podem ser adquiridos para a utilização de três a 13 anos. Além disso o resort inaugurou, no ano passado, o primeiro hotel exclusivo para timeshare no Brasil, o Hotel Crystal.

Sobre as vantagens que o cliente desse sistema leva sobre os outros, Alejandro Sallas cita os descontos na utilização do parque aquático do complexo, além do espaço Vacation Club, que recebe os hóspedes do programa com o a atendimento de agência de viagens.

Grupo Ferrasa

Com um empreendimento em funcionamento – Thermas Park Resort & Spa (inaugurado em 2003) - e dois em fase de construção – Thermas Aqua Resort Club e Hot Beach -, ogrupo Ferrasa aposta no timeshare desde 2011 e já firmou contrato pra que as próximas unidades também ofereçam o serviço.

“Embora não haja grande vantagem financeira, o sistema, que no Thermas Park Resort & Spa tem a marca Thermas Park Vacation Club, é uma ferramenta mercadológica que ajuda a manter a taxa de ocupação e também a divulgação da marca e do próprio hotel”, conta Sérgio Ney Padilha Garcia.

Sobre os próximos hotéis que ainda nem funcionando estão, o executivo alerta que o cliente já vai poder contar com o serviço, ampliando assim as possibilidades de vantagens dos clientes.

 

 

Imagem do complexo Hot Beach, que está sendo desenvolvido pelo Grupo Ferrasa
(imagem: divulgação)

Timeshare no Brasil
Com sua história brasileira iniciadas há cerca de 20 anos os programas de tempo compartilhado demoraram a vingar no País, alcançando o grande público somente após os anos 2000.

Atualmente é um mercado que mostra crescimento e com boas avaliações de quem atua no mercado.

“Já houve resistência a respeito destas iniciativa. No entanto isso é cada vez menor, com programas sérios sendo oferecidos ao turista”, opina Garcia.

Já para Sallas, está havendo uma mudança de cultura do brasileiro que está mais receptivo para as vantagens dos programas de timeshare. “Além disso, os desenvolvedores se inovando constantemente, criando produtos mais adaptados as necessidades do mercado e visando satisfazer plenamente o cliente”, completa.

Serviço
www.rioquenteresorts.com.br
www.thermasparkhotel.com.br
www.rci.com